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A PREVIDÊNCIA, OS PRESIDENCIÁVEIS E O NOVO CONGRESSO

Em tempos eleitorais, os candidatos são pródigos em escamotear da sociedade em geral suas efetivas propostas sobre assuntos espinhosos. Dificilmente algum candidato que pretenda cativar a maior parte do eleitorado admite qualquer medida que possa colocar em risco o voto que pretende granjear para si ou sua legenda. Entre estes assuntos, em especial no debate presidencial, os candidatos que emergem para o segundo turno - um tucano e uma petista – fogem de toda e qualquer “saia justa” envolvendo sua posição acerca de eventual reforma do sistema previdenciário brasileiro. Numa breve pesquisa nos portais eletrônicos das candidaturas remanescentes (http://www.dilma13.com.br e http://www.serra45.com.br) pouco conseguimos captar com clareza sobre o que propõem em seus programas de governo. O tema é por demais preocupante, primeiro para todos os que estão trabalhando em ocupações formais ou não, depois para aqueles que já se aposentaram e cujo dinheirinho mensal depende dos cofres governamenta...

AS LUTAS DOS APOSENTADOS

Os servidores públicos, em especial os aposentados e pensionistas, se articulam e se mobilizam com todas as suas entidades associativas e sindicais para fazerem prosperar o mais rápido possível a tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº. 555, de 2006, de autoria do ex-deputado federal Carlos Mota (PSB/MG). Com a promulgação do texto, cujo parecer recém aprovado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados reformula a proposta inicial, será colocada por terra a famigerada contribuição instituída pelo artigo 4º. da Emenda Constitucional (EC) nº. 41, de 19 de dezembro de 2003. Para quem não sabe, os aposentados e pensionistas do serviço público, desde então, sofrem descontos compulsórios de 11% sobre seus benefícios, nos valores que superam o limite do INSS. Pela proposta aprovada, deixariam de contribuir integralmente aos 65 anos de idade. Lembramos que contribuição é somente para “solidariedade” ao sistema, não gerando nenhuma reavaliação ao benefício do funcionário públ...

POLITICAMENTE ANALFABETOS

O Tribunal Superior Eleitoral já revela que somos mais de 130 milhões de cidadãos aptos a votar no primeiro turno de 2010. Destes, cerca de 12 milhões são eleitores facultativos, por terem mais de 70 anos, ou serem declaradamente analfabetos ou cuja idade está entre 16 e 18 anos. Os demais estão obrigados a exercer seu voto, sob pena de multa ou justificativa documentada. As opções de sufrágio são as mais variadas possíveis, dezenas de milhares de candidatos a deputados estaduais, distritais, federais, senadores, prefeitos, governadores e presidentes da República. A sopa de letras das siglas partidárias alcança quase três dezenas, tantas são. Mas o que mais preocupa é a constatação de que somos desmemoriados e, lamentavelmente, quase analfabetos politicamente. Mas da metade dos eleitores não recorda em quem votou nas últimas eleições. Quase dois terços destes cidadãos não sabem o que fazem os seus políticos, qual o foco e os limites de sua atuação, sejam eles senadores, deputados, gove...

CANTINFLAS E ELEIÇÕES

O ator e comediante mexicano Fortino Mario Alfonso Moreno Reis (1911 – 1993), imortalizou o personagem Cantinflas, que utilizava seu vernáculo inicialmente como se fosse uma conversa normal que, aos poucos, se transformava num “enrolation” que, ao final, ninguém entendia nada. Quando seu personagem devia dinheiro a outro e era cobrado ou ao cortejar lindas mulheres ou ao tentar sair de enrascadas com as autoridades, sempre brotava uma “conversa de Cantinflas” que normalmente “tonteava” o interlocutor, que às vezes desistia de entender o que era dito. Pois, em época de campanha eleitoral, a maior parte das aparições públicas, discursos, programas de rádio e TV, planos de governo e promessas de palanque se assemelham a “conversas de Cantinflas”, pois dificilmente, a não os franco-atiradores – que nada têm a perder - os candidatos com efetivas chances, em especial, de assumirem os governos federal e estadual, mostram suas efetivas intenções ou medidas concretas a serem desencadeadas ao se...

O DECLÍNIO DO JORNALISMO "OFF-LINE"

"Pitonisas agourentas entoam: os jornais impressos têm uma linha do tempo às vésperas de se extinguir. Na competição entre as mídias modernas e as “vetustas”, a que tem maior risco de sucumbir é a impressa, representada por jornais diários, matutinos ou vespertinos, revistas, boletins e tudo o que envolva o meio papel. Não pela matéria-prima utilizada, em si, e sim pela vertiginosidade das mudanças com a comercialização intensiva de “netbooks”, “e-readers”, “tablets” e “smartphones”. Estas e inúmeras outras maravilhas tecnológicas que surgirão em breve tempo colocam a internet disponível em qualquer cantinho do planeta e até fora dele. Com o acesso à rede incontrolável da “World Wide Web”, a notícia – cuja cobertura é o produto e a razão de ser do jornalismo “off-line” – passa a ser cada vez mais material disponível “on-line”. Um exemplo: o grupo empresarial que edita o The New York Times, o The Boston Globe e o International Herald Tribune registrou um crescimento em seu faturame...

APOSENTADORIA NO VELHO MUNDO

"Os sinais de mudança recrudesceram com a crise econômica mundial destes últimos anos. O desequilíbrio econômico recente em terras gregas impulsionou a manifestação do órgão executivo da União Européia (U.E.). A Eurostat (http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/page/portal/eurostat/home/), agência de estudos e estatística da U.E., revela que a esperança de vida dos europeus aumentou cinco anos nas últimas cinco décadas. Ao mesmo tempo, o organismo estima, que ao lado de uma progressiva redução da taxa de natalidade, a expectativa de vida média seguirá ascendente, se elevando em outros sete anos até 2060. Com esta bolha demográfica e etária, os 27 países integrados do Velho Mundo devem se cingir aos parâmetros ditados pela Comissão Européia que tem reiterado as recomendações de atrasar as idades das aposentadorias, antecipando-se a uma eventual situação insustentável de manutenção dos sistemas públicos de aposentadorias e pensões. Os parlamentos nacionais já aprovaram a ampliação d...

PANACÉIA REFORMISTA

"Panacéia era uma deusa da mitologia greco-romana, filha de Esculápio (ou Asclépio), o deus da medicina. Panacéia representava a cura e uma de suas irmãs era Higia, a deusa da boa saúde. Os três – pai e duas filhas – são citados no juramento de Hipócrates, feito pelos médicos na formatura – “Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas…” Atualizando o significado, panacéia significa um “remédio para todos os males” e é usada em sentidos diversos da medicina. A proximidade das urnas incentiva a elocubração e a panacéia reformista. No Brasil, falar em reformas virou chavão repetitivo e desgastado que recrudesce em cada momento onde se pretenda repensar o Estado nacional, em especial nos momentos e debates pré-eleitorais. O cenário atual em nada distoa disto, pois os programas de governo estão sendo elaborados e como diz o professor José Pastore: “Ano eleitoral é sempre tempo de muito ilusionismo. Promete-se tud...