O PAÍS QUE PODE (E PRECISA) MELHORAR (último)

"Concluímos neste terceiro artigo a rápida pesquisa feita na rede mundial e nos veículos de comunicação sobre diversos aspectos onde o Brasil ainda apresenta deficiências estruturais e organizacionais, a partir do cotejo com outras nações e de sua colocação em diversos rankings internacionais. Apesar de termos produzido um rol exemplificativo e não exaustivo, reiteramos que as carências desta Nação desigual foram acumuladas ao longo de sua história, não podendo ser debitadas ao atual ou anteriores e recentes governos. Mas vamos aos últimos tópicos:
Liberdade econômica – O complicado arcabouço tributário, trabalhista e jurídico insere o País entre os piores classificados no ranking de liberdade econômica ocupando a 111ª posição entre 141 Países. Na América Latina é o 15º entre os 18 analisados pelo Instituto Fraser, do Canadá que tabulou e quantificou dados de cinco áreas: tamanho do governo, estrutura jurídica e direitos de propriedade, política monetária, nível de livre comércio internacional e de regulação de crédito, do trabalho e das empresas.
Meio-ambiente - O Brasil caiu para o 62º lugar em performance ambiental no indicador criado pelas universidades americanas de Yale e Columbia. Países com crescimento econômico acelerado como China e Índia estão muito atrás na classificação, ocupando respectivamente o 121º e o 123º lugares, pressionados por grandes populações, com problemas administrativos e impactados pela extração de recursos naturais. O primeiro colocado no ranking deste ano é a Islândia – apesar do vulcão-, com bons resultados em saúde ambiental, controle de gases do efeito estufa e reflorestamento. Os últimos colocados são Togo, Angola, Mauritânia, República Centro-Africana e Serra Leoa. O indicador mede saúde ambiental, qualidade do ar, recursos hídricos, biodiversidade, florestas, agricultura e mudanças climáticas, entre outros itens.
Comércio - O nosso País perdeu duas posições no ranking anual do comércio de mercadorias da Organização Mundial do Comércio (OMC), passando para o 24º posto entre os exportadores e para o 26º entre os importadores em 2009. Pela primeira vez, a China lidera a lista de exportações, com um volume de US$ 1,2 trilhão em mercadorias e uma fatia de 9,6% da balança mundial - a parcela brasileira é de 1,2%. A Alemanha, antes a maior potência, vendeu 9% de tudo o que foi exportado no mundo, seguido de EUA e Japão. A OMC projeta que o comércio global crescerá 9,5% neste ano e que a alta será mais intensa para os Países emergentes e para os mais pobres, chegando a 11%.
Energia renovável – Na classificação global dos maiores investidores em energia renovável, a China desbancou os EUA da liderança e o Brasil apareceu como o sexto maior, de acordo com dados do relatório "Who's Winning the Clean Energy Race?" [Quem está vencendo a corrida pela energia limpa], da fundação americana Pew Charitable Trusts.Globalmente. A China investiu R$ 34 bilhões em energia renovável em 2009, quase o dobro dos EUA (US$ 18,6 bilhões), que enfrenta dificuldades em aprovar legislação específica no Congresso. No Brasil, US$ 7,4 bilhões foram para a área, mas se estima que a metade tenha ido para biocombustível.
Déficit habitacional - O Ministério das Cidades anunciou que entre 2007 e 2008 o déficit habitacional foi reduzido de 6,3 milhões para 5,8 milhões de domicílios. No entanto, caiu a quantidade de moradias com infraestrutura adequada. 11 milhões de unidades, ou 22% dos domicílios urbanos, têm problemas de acesso a pelo menos um dos serviços básicos: iluminação elétrica, abastecimento de água com canalização interna, rede geral de esgoto ou fossa séptica e coleta de lixo.
Correio eletrônico - O Brasil é a origem de 14% dos spams – mensagens publicitárias, repetitivas, massivas, ... - que entopem as caixas de e-mail de internautas do mundo todo. O principal foco é a fraude bancária. Os dados estão em levantamento da multinacional espanhola de segurança na rede Panda Security. O aumento de spams e cibercrimes no País é resultado direto do desempenho da economia brasileira. Um relatório da multinacional americana Cisco Systems já mostrava anteriormente que em 2009 o Brasil foi, pela primeira vez, o campeão de spams, com 7,7 trilhões de e-mails. A maior parte dos spams brasileiros é de trojans, que contêm softwares para phishing, ou seja, e-mails com arquivos executáveis e links disfarçados como mensagens de bancos ou mesmo anexos de fotos, que se instalam no computador, roubam senhas e outros dados, segundo o Panda Labs.
Produção industrial - O Brasil perdeu o posto de nono maior parque industrial do mundo. Levantamento da Organização das Nações Unidas (Onu) aponta que a Índia superou o Brasil em 2009 e o País caiu para a décima posição. No topo do ranking, a China supera pela primeira vez o Japão para se tornar o segundo maior produtor de bens manufaturados do mundo. A liderança ainda é dos Estados Unidos.
Tuberculose - O Brasil caiu da 18ª para a 19ª posição no ranking de países com mais casos de tuberculose, segundo o Ministério da Saúde. Apesar disto, o País registrou 70.989 casos em 2008, dado mais recente. A expectativa é que daqui a três ou quatro anos o Brasil saia da lista das 22 nações com o maior número de casos do mundo, atualmente liderada pela Índia. O Brasil é o único representante da América do Sul.
Lixo eletrônico - O Brasil tem a maior produção per capita de lixo eletrônico vindo de computadores entre 11 países emergentes e em desenvolvimento, selecionados para um estudo conduzido pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Com o número de 0,5 kg de e-lixo per capita por ano, o País está em piores condições que o Quênia, Uganda, o Senegal, o Peru, a Índia, a China, a África do Sul, o Marrocos, a Colômbia e o México.
Economia – Uma boa notícia, por fim. A recente crise mundial alçou o Brasil à condição de oitava maior economia do mundo em 2009. É a primeira vez desde 1998 que o País ocupa essa posição no ranking global com o PIB (Produto Interno Bruto) medido em dólares. A informação da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit) acrescenta que políticas anticíclicas bem sucedidas adotadas pelo governo contribuíram para esse resultado.
Conclusão – Como se viu, poderíamos seguir indefinidamente elencando as deficiências da “terra de palmeiras e sabiás”, mas esta amostra já deixa evidente que o trabalho dos próximos governantes, em conjunto com a sociedade, será árduo. Aliás, como sempre tem sido neste sempre “País-continente em desenvolvimento”. A relação não exaure a tarefa, mas serve de retrovisor para a caminhada árdua que não pode ser ação só do próximo presidente, que deve olhar criticamente o apresentado nesta seqüência de artigos, mas sim fruto de um unir de forças de todos nós, cidadãos brasileiros."
(Vilson Antonio Romero)

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